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Empresas investem no Paraguai de olho no mercado brasileiro

Os planos de investimentos da Paranatex, grupo que engloba uma indústria têxtil e uma rede de lojas de tecido, estão em compasso de espera. Eros Felipe, diretor-presidente da empresa, aguarda uma reação maior do mercado brasileiro para tirar do papel os planos de montar uma nova fábrica. Apesar de depender do que indica o termômetro do consumo doméstico, a expansão não deve acontecer em território brasileiro, mas sim no Paraguai.

Felipe conta que a empresa já tem um terreno comprado na região metropolitana de Assunção para a nova fábrica, que deverá resultar de início em 200 postos de trabalho e em uma nova linha de produção para o grupo. Com sede em Apucarana, no norte paranaense, a empresa fabrica tecido de sarja para vestuário e decoração. No Paraguai, planeja inaugurar a produção de jeans.

A Paranatex não é a única empresa que enxerga no Paraguai território para viabilizar investimentos. Nos últimos anos o movimento brasileiro de levar negócios ao país vizinho se intensificou. Segundo o Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai, no início do governo do atual presidente Horacio Cartes, em agosto 2013, havia 46 empresas na chamada lei de maquila, das quais 57% eram brasileiras. Hoje são 117 companhias, sendo 80% brasileiras.

Entre outros, a lei de maquila é um dos grandes atrativos do Paraguai por permitir suspensão do imposto de importação para matérias-primas e máquinas e equipamentos, desde que a produção seja voltada à exportação. Dentro dessa lei as empresas recolhem ao Fisco paraguaio 1% do faturamento gerado com os embarques. Cerca de 60% das exportações das maquiladoras paraguaias têm como destino o Brasil.

 

O incentivo vem efetivamente impulsionado as exportações dessas indústrias. Desde 2013, as empresas da maquila paraguaia exportaram US$ 900 milhões. De janeiro a setembro as exportações totais das maquiladoras acumularam US$ 232,79 milhões, com alta de 8% sobre igual período de 2015, segundo informações do governo paraguaio. A expectativa de Assunção é superar os US$ 300 milhões até o fim do ano. No ano passado foram US$ 284 milhões.

Do lado do Brasil é possível ver o efeito nas importações de origem paraguaia. As compras de bens do país vizinho pelo Brasil cresceram 30% de janeiro a setembro contra iguais meses do ano passado, desempenho impressionante num período em que os desembarques totais do país caíram 23% - sinal da recessão e do recuo da capacidade de consumo brasileiro.

Os produtos agrícolas ainda dominam a pauta brasileira de importação origem Paraguai e de forma agregada são os responsáveis pela elevação de desembarques. Mas dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) mostram que o desempenho de alguns manufaturados se destaca na lista dos principais produtos, por crescer em ritmo explosivo.

A compra de edredons, almofadas, travesseiros e pufes do Paraguai saltou de US$ 50,3 mil de janeiro a setembro do ano passado para quase US$ 1 milhão este ano. Camisas de malha para uso feminino saíram de US$ 24 mil para também perto de US$ 1 milhão. A importação made in Paraguai de "outros artefatos de malha" saltou 779% em igual período enquanto "acessórios para tubos de alumínio" cresceram 466% e "meias-calças e assemelhados", 169%.

O desempenho atípico das importações origem Paraguai é o resultado de investimentos realizados nos últimos cinco anos por empresas brasileiras no país vizinho e intensificado no governo do presidente paraguaio Horacio Cartes, dizem analistas. "Esse nível de importações num ano em que a moeda brasileira passou por grande desvalorização em relação ao dólar certamente está relacionado às empresas brasileiras que colocaram parte de sua produção no Paraguai", diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Castro explica que as empresas, por determinação da própria legislação de maquila que atrai as empresas ao Paraguai, não produzem para o mercado do país vizinho, mas para a exportação e, no caso, para atender a demanda do mercado brasileiro. Para Castro, com a valorização do real frente ao dólar, a tendência é de as importações made in Paraguai crescerem mais ainda. "O limite será apenas uma questão da capacidade de produção no Paraguai e da capacidade de consumo do mercado doméstico."

Sarah Saldanha, gerente de serviços de internacionalização na Confederação Nacional da Indústria (CNI), destaca que os investimentos brasileiros no Paraguai passam por uma nova fase atualmente. Ela lembra que a entidade iniciou missões de investimento para o país vizinho em 2013 e no início as empresas que lá se instalavam eram grandes companhias, como as do setor automotivo. Atualmente os setores de atividade se diversificaram e os paraguaios têm conseguido atrair também empresas de médio porte.

Ao mesmo tempo em que diversificou a atração de empresas por porte e setor de atividade, o Paraguai conseguiu manter o interesse das grandes companhias. Em setembro, a fabricante de brinquedos Estrela informou ao mercado que o acionista controlador e seu diretor de marketing constituíram no Paraguai uma sociedade denominada Estrella del Paraguay, que passará a fornecer brinquedos para a empresa e outras companhias, no Brasil e na América do Sul. A companhia informou que vai estabelecer contratualmente as condições de fornecimento da operação, de modo que os brinquedos importados do Paraguai passem a substituir parte dos brinquedos atualmente importados da China.

"O Paraguai tem viabilizado investimentos com condições que tornam as empresas mais ágeis e mais competitivas", diz Edson Campagnolo, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Ele acredita que num período como o atual, de recessão da economia brasileira, as empresas tendem a olhar para fora e procurar alternativas para melhorar as condições externas. Muitas delas, diz, para evitar fechar as portas, já fizeram internamente tudo o que era possível. O presidente da Fiep lembra que até mesmo as empresas menores têm conseguido encontrar condições de investimentos em locais organizados como condomínios industriais no Paraguai, onde se pode reduzir custos de investimento em infraestrutura.

Campagnolo defende que não devem prevalecer as críticas pelas quais a ida de empresas ao Paraguai faz com que investimentos e empregos sejam realizados e criados no país vizinho e não no Brasil. "Esses investimentos são resultado natural de uma parceria para a formação de produção complementar", argumenta. "Isso tem dado fôlego às empresas brasileiras num momento em que elas estão fechando portas ou foram induzidas nos últimos anos à importação de produtos asiáticos."

A Paranatex, que estuda produzir jeans no Paraguai para atender o mercado brasileiro, já tem um pé na capital paraguaia. Uma das seis lojas varejistas do grupo vende em Assunção os tecidos hoje produzidos na fábrica brasileira.

Inaugurada há cerca de um ano, a loja ainda não retornou o investimento feito, mas atingiu o equilíbrio financeiro em quatro meses de operação, contribuindo de forma positiva para o crescimento do faturamento do grupo como um todo, diz o diretor-presidente, Eros Felipe. O desempenho da loja paraguaia é melhor que o esperado. "No Brasil as lojas demoram um ano a um ano e meio para chegar a esse equilíbrio." Além da evolução da economia paraguaia, que cresce este ano, diferentemente da brasileira, contribuiu para o bom resultado da loja em Assunção, diz Felipe, o fato de oferecer um produto relativamente novo no país.

Para os jeans que planeja produzir no Paraguai, diz Felipe, a ideia não é abastecer apenas o mercado brasileiro, mas também embarcar para países da América do Sul e Central e Estados Unidos, que hoje já são destinos para a sarja fabricada no Paraná. Atualmente a empresa embarca 15% de sua produção. A ideia é, mesmo com a valorização mais recente do real frente ao dólar, manter o volume de exportação e, com o jeans, diversificar a clientela no exterior e também dentro do Brasil.

Não é somente a lei de maquila que leva os brasileiros ao Paraguai. A energia mais barata é outro chamariz para as empresas brasileiras que vão ao país vizinho em busca de custos de produção mais baixos, além dos benefícios tributários, diz Castro, da AEB. Claudio Gomes, consultor da Braspar, que presta consultoria para empresas interessadas em investir no Brasil, ressalta que o encargo social no Brasil ultrapassa 100% do salário do empregado enquanto no Paraguai esse custo é de 30%, considerando o décimo terceiro salário e 12 dias de férias (concedido para contratados até cinco anos).

 

Fonte: Valor Econômico

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